Vacine-se contra o HPV
Uma em cada cinco brasileiras é portadora do vírus HPV. Um alerta à população feminina, que deve ficar atenta e se informar sobre a prevenção da doença. Além de causar verrugas genitais, o HPV pode potencializar a possibilidade de câncer no colo do útero.
"Mais de 95% dos casos, atualmente, de câncer de colo do útero são causados pelo HPV, que provoca alterações estruturais no material genético da célula do colo do útero e da vulva", revela a ginecologista Dra. Rosa Maria Neme, Diretora do Centro de Endometriose São Paulo, clínica especializada no tratamento da doença.
O HPV é a sigla em inglês de Human Papilomavirus, papiloma vírus humano em português. Basta ter uma vida sexual ativa para fazer parte do grupo de risco. A doença sexualmente transmissível afeta a pele e as mucosas e pode provocar o surgimento de lesões genitais. De acordo com dados do Inca, estudos mostram que, no mundo, 50% a 80% das mulheres sexualmente ativas serão infectadas por um ou mais tipos de HPV em algum momento de suas vidas.
Embora seja uma doença comum ao sexo feminino quanto ao masculino, as mulheres tem mais chances de contaminação. "As mulheres possuem uma resistência mais baixa à infecção pelo HPV, quando comparadas aos homens, por possuírem uma alteração da imunidade ao longo do ciclo menstrual, o que não ocorre no sexo masculino", explica a médica.
Atualmente, a vacina contra o HPV é o tratamento mais eficiente e garante imunidade de, no mínimo, dez anos. Ela é dividida em três doses: uma aplicação inicial, outra após um mês e a última depois de cinco meses da segunda aplicação. "Por não existir nenhuma contraindicação ou efeito colateral, a vacina pode ser aplicada em mulheres a partir dos nove anos de idade. Além disso, hoje, já se preconiza sua aplicação até os 45 anos", diz. Mulheres que já foram contaminadas pelo HPV também podem receber a vacina e, com isso, diminuem as chances de voltarem a ter a doença.
Falta de informação é problema
De acordo com a Dra. Neme, apesar da alta incidência, as informações sobre o HPV são falhas. "A falta de informação por parte da população se deve também ao fato deste método ainda não estar vinculado ao SUS e ter um custo alto. Uma pessoa carente e, certamente, com maior risco de exposição à contaminação pelo vírus, tem pouca informação sobre essa forma de prevenção", avalia.
Ainda segundo ela, campanhas nos meios de comunicação e a incorporação da vacina no calendário de vacinação fariam com que as mulheres ficassem mais atentas ao problema.
O uso de preservativos diminui a possibilidade de transmissão na relação sexual (apesar de não evitá-la totalmente) e a camisinha deve ser utilizada mesmo em casais estáveis. A médica ainda faz um alerta para a prevenção. "A vacina não protege contra todos os tipos de vírus que causam o câncer, assim como pode não tratar uma infecção já estabelecida. Portanto, o exame preventivo (Papanicolaou) assim como avaliações periódicas ao ginecologista mantém-se necessários", finaliza.
Por Redação SuperCarioca.com
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